17 de agosto de 2015

O show não pode parar

por Gefferson Vila Nova

Entrada final do desfile da grife Giambattista Valli, Haute Couture F|W 15.16, Paris

Entrada final do desfile da grife Giambattista Valli, Haute Couture F|W 15.16, Paris

Um universo de sonhos, mágico, surreal… Poderia passar horas em busca de adjetivos para definir o fantástico universo na alta costura parisiense, mas as imagens falam por si.

Esse mundo tão especial que move milhões de euros e sonhos é cercado de histórias desde que Paris se tornou a capital da moda de alto luxo pelas mãos do inglês radicado em Paris, Charles Frederick Worth.

Considerado o “pai” da Alta Costura, o estilista que se tornou o costureiro oficial de Eugene, esposa de Napoleão III, após promover uma revolução lá ainda no século XVIII é também o criador dos primeiros desfiles de moda da história e de usar modelos reais (chamadas de sósias) para apresentar as suas criações. Como uma forma de atestar a autoria de suas criações, Monsieur Worth passou a assinar e numerar seus vestidos, costurando na parte interna dos modelos uma espécie de selo que atestava a sua originalidade, a tão famosa griffe que do francês quer dizer ‘assinatura’. Como se vê, é desde os primórdios da engrenagem que chamamos hoje de Moda, que os grandes nomes tentam fugir do fantasma da pirataria.

Os Ateliers

Podemos ser categóricos e afirmar que essas são as pérolas negras do coração da Haute Couture, os responsáveis pelo sucesso das Maisons de Alta Costura francesa. O mais famoso de todos, o centenário atelier Massaro foi fundado em 1894 por Monsieur Raymond Massaro. A Maison Massaro é a responsável pela confecção dos sapatos da Maison Chanel e por dar vida a criação do mais famoso sapato da Maison Chanel o bicolor bege e preto. Localizada próxima a Place Vandôme, o atelier também é responsável pela confecção de assessórios para nome como Jean Paul Gaultier e Thierry Mugler.

As modelos usando o cobiçado sapato bicolor

As modelos usando o cobiçado sapato bicolor

Chanel Haute Couture F|W 15.16

Chanel Haute Couture F|W 15.16

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A Chanel e sua Regra do Jogo

A Chanel e sua Regra do Jogo

O surrealismo da dupla holandesa Viktor e Rolf

O surrealismo da dupla holandesa Viktor e Rolf

As telas saíram da parede!

As telas saíram da parede!

Qual o papel da Alta Costura?

Muito se especulou sobre a morte da Alta Costura. O que dizem por aí é que atualmente só existem 200 e poucos clientes que sustentam esse universo de alto luxo, porém o que se percebe é que a tão reverberada notícia não passa(ou) de boatos. Seja inverno ou verão, a semana dedicada a Alta costura está lá no calendário da Chambre Syndicale de la Haute Couture.

Hoje, a Chanel é dona da Maison Massaro e de outros ateliês que atendem não só a maison, mas a outras renomadas grifes de alta costura. A saúde dessa centenária moça vai indo de vento em popa e nos rendendo imagens que ficam na memória com um sonho do qual não queremos mais acordar.

O sonho em organza do Giambattista Valli

O sonho em organza do Giambattista Valli

Um desfile poético e romântico, très Jolie.

Um desfile poético e romântico, très Jolie.

Marketing pra vender batom?

Seria indelicado afirmar que a alta costura nada mais é que um trampolim midiático pra vender batons e perfumaria das grandes grifes francesas, porém sabemos que são poucos os mortais com tanta bala na agulha pra comprar um vestido que vale mais que apartamento popular. O que sabemos é que essas imagens correm o mundo interior e toda aquela mística em volta do alto luxo francês permanece inabalada. É muito desejo traduzido em forma de perfumes, rímel e batons.

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O conceito da Maison Martin Margiela pelas mãos do John Galliano

O conceito da Maison Martin Margiela pelas mãos do John Galliano

A economia

O luxo francês está para o PIB – Produto interno bruto da França assim como o agronegócio está para o Brasil. Tanta dedicação na manutenção do título de capital da moda e do luxo rende a França o selo de país mais visitado do mundo, em números equivale a 82 milhões de turistas estrangeiro ao ano. Como podemos perceber, essa engrenagem é bem mais complexa que um desfile; e os interesses em manter essa imagem de desejo ultrapassam aos das grifes.  Afinal você pode não ter um sapato bicolor Chanel ou o famoso terninho de tweed, mas você pode ter Paris só pra você, basta ir até lá, e com tanta promoção dá até pra viajar a bordo da mais famosa companhia área francesa a Air France. Como a mesma diz em sua nova campanha: France Is In The Air.

 

Viva La France!

Alexis Mabille

Alexis Mabille

A madonna na visão do Mabille

A madonna na visão do Mabille

E mais opulência, afinal de contas é dia de Haute Couture bebê

E mais opulência, afinal de contas é dia de Haute Couture bebê