19 de maio de 2016

O novo mapa da produção industrial pré-à-porter internacional

por Gefferson Vila Nova

china

A produção industrial no setor de confecção global está mudando rapidamente o seu mapa, o que vem retirando da China o “título” de “grade fábrica global.”

Enfrentando concorrência no exterior, os preços hoje praticados pelo setor manufatureiro e de confecção chineses vem sentido os efeitos da desaceleração global, o que vem levando algumas empresas do paísa buscar uma terceirização fora de suas fronteiras e algumas retornando para Europa como no caso da gigante Zara, que já tinha parte de sua produção sendo fabricada em seu parque industrial na Espanha e da marca de prêt-à-porter de luxo americana Alexander Wang, que levou para a Itália parte da sua produção.  Com essas produções offshore em outros países da própria Ásia e da África, caem os preços, mas também a qualidade.

O complexo em Arteixo, Espanha, que abriga a sede Inditex e algumas fábricas da Zara.

O complexo em Arteixo, Espanha, que abriga a sede Inditex e algumas fábricas da Zara.

Controle de qualidade da Zara na fabrica de Arteixo, Espanha. Jaquetas coleção outono inverno 2012.

Controle de qualidade da Zara na fabrica de Arteixo, Espanha. Jaquetas coleção outono inverno 2012.

 

Alexander Wang Spring 2015 Collection

Alexander Wang Spring 2015 Collection

Para alguns especialistas, essa reviravolta nesse novo mapa da produção do pré-à-porter contribui bastante para o desenvolvimento do setor, pois provoca uma corrida pela inovação, especialização e avanços tecnológicos no setor.

Outro ponto a se destacar são os escândalos em torno da produção têxtil no país que não oferece leis de proteção ambiental, além de leis trabalhistas que não promovem o bem-estar do trabalhador.

Uma equipe de resgate procura por trabalhadores depois de um acidente em uma confecção em Phnom Penh, no Camboja. Foto: Agência Europeia Pressphoto

Uma equipe de resgate procura por trabalhadores depois de um acidente em uma confecção em Phnom Penh, no Camboja. Foto: Agência Europeia Pressphoto

Por falta de uma fiscalização e legislação mais rigorosa, esses escândalos envolvendo gigantes da moda internacional também contribuíram para essa evasão industrial, pois sabemos que existe hoje em curso um movimento por um mercado mais justo e produção limpa. Daí surge o questionamento: até quando a China sustentará esse titulo de “grande fábrica global?”