03 de novembro de 2016

Brazil Fail Fashion Week

por Gefferson Vila Nova

Alexandre McQueen SS01

Alexandre McQueen SS01

Muito se desejou, muito se esperou da moda feita aqui no hemisfério sul. Mas, esse samba parece ter desafinado e o que era um enredo não deu em carnaval e nem chegou à dispersão, e o tão sonhado sucesso da moda brasileira parecer ter naufragado junto com o tão sonhado slogan de que o “Brasil é o país do futuro” ou ao menos era o que desejávamos até essa maré de tristeza aportar em terras tupiniquins.

Zuzu Angel, desenho de estampa da coleção Anjos que acabaram por se tornar sua assinatura visual

Zuzu Angel, desenho de estampa da coleção Anjos que acabaram por se tornar sua assinatura visual

Há 20 anos o Brasil vivia uma ebulição na moda brasileira, foram tantas as semanas de moda que já existiram na terra do boi tatá, curupira e Cia que só saem perdendo para os planos econômicos já implantados no país em que Cunha recebe declaração de amor de estilista que desfila na SPFW e pede o fim da corrupção. E um grupo mais eufórico pede a volta a da ditadura militar. Sim! Nós não temos só bananas! Temos estilista famosa por fazer do couro – a sua matéria-prima, elogiando um político com uma ficha criminal como a do Cunha, nada tão out como isso, né?

John Galliano te despreza.

John Galliano te despreza.

Forward é que se anda…

Entra ano, sai ano e o tão ‘sonhado sonho’ do Brasil em se tornar uma nova Antuérpia e seu Antwerp Six,  essa tão cansativa espera não finda e o The Big Day tão esperado simplesmente não chega. E pelo que vimos na última temporada está longe, bem distante, so far far away from here de chegar.

Pourquoi?

Dries van Noten,  Ann Demeulemeester,  Dirk Van Saene,  Walter Van Beirendonck,  Dirk Bikkembergs e Marina Yee. Grupos dos seis da Antuérpia que revolucionou a moda no fim da década de 80 e 90.

Dries van Noten, Ann Demeulemeester, Dirk Van Saene, Walter Van Beirendonck, Dirk Bikkembergs e Marina Yee. Grupos dos seis da Antuérpia que revolucionou a moda no fim da década de 80 e 90.

O país famoso por sua natureza exuberante, futebol, caipirinha, mulata, carnaval e futebol não conseguiu ultrapassar a fronteira dos tão famosos microbiquines.  Isso não é uma suposição, é uma constatação. A nossa indústria de moda não exporta design brasileiro porque simplesmente não produzimos design brasileiro. Com exceção de alguns trabalhos relevantes como é o trabalho desenvolvido pela Osklen sobre a temática da sustentabilidade – um artigo de luxo dentro de uma indústria de reputação tão duvidosa como é a indústria da moda.

 

Mas porque a moda brasileira agoniza nos porões da amizade?

0aa3afb3cbe3468fc6e43e50070b0810

 

O Brasil é traumático. Apesar de todo o avanço tecnológico nas duas últimas décadas, um grupo sem a genialidade e originalidade dos Seis da Antuérpia ainda acreditam que eles podem legitimar o que é original, criativo e genial. Sabemos que o cachê pago pela visita empolga muito menos que a originalidade impactante das obras de Oscar Niemeyer, o mais internacional dos brasileiros depois de Pelé.

Editora famosa.

Editora famosa.

Há 20 anos quando tudo começou a Internet não era tão popular como hoje, logo as “criações originais” de grande parte de nossos estilistas e marcas pareciam tão originais quanto a suas referências, daí você pode ler nomes como Balenciaga, Commes Des Garçons, Diesel, Calvin Klein, Prada e por aí vai. (cada uma dessas marcas atendendo as necessidades estéticas das made in Brazil) Hoje, todo esse universo é desmontável quando você tem uma ferramenta de pesquisa como o Google. Dando uma “googleada” você pode sair ao melhor estilo Hamptons e mostrar seu lado artsy surfando com uma cara tão original quanto a sua fonte inspiracional de quem veraneia no famoso bairro nova-iorquino. Os americanos têm a dupla talentosíssima Jack McCollough e Lazaro Hernandez à frente da Proenza Schouler e nós temos o Schin Cola.  Porque guaraná é original e açaí também.

Mas nem só de ‘originalidades’ vive a moda Brasilis, então vamos ao intervalo.

YEAH! Nós temos a New Young celebridade que teve os seus primeiro 15 minutos de fama no jornal nacional revelando um segredo que vai deixar as fãs de uma marca carioca em alvoroço! Ops… Sim, ela compra na Free People uma loja de departamentos super popular nos Estados Unidos que, digamos assim, faz uma moda folk que se adaptada aos trópicos em estampas mais alegres (o shape é o mesmo, quem trabalha em confecção copiando conhece a Free People como os dedos das mãos!) agrada em cheios as meninas da Viera Souto. Pausa para reflexão…

A moda está um saco e as marcas brasileiras agonizam não com a crise, mas pela falta de originalidade.

06-proenza-schouler-resort-2017 _MON0159

 

07-proenza-schouler-pf16