08 de março de 2017

De mulheres para mulheres

Por Rafael Vasconcelos

“Ê, Ê, Ê, Ê… Mulheres no comando.

Mulheres no poder!”

A estreia de Maria Grazia Chiuri a frente da Dior reforça o novo tempo da Maison da marca

Com essa citação da música do carnaval 2017 do Psirico, nós usamos para aludir às mudanças na indústria fashion, que é um dos setores que mais emprega mulheres ao redor do mundo e que tem nelas o seu maior público alvo. Mas, que tem presença no dia 8 de março de 1909 com a greve de trabalhadoras da indústria têxtil iniciada nessa data, para reivindicar os seus direitos civis e lutaram contra a opressão e a exploração da fábrica.

 

A moda sempre teve presenças femininas extremamente fortes e marcantes não só como modelos, mas como grandes criadoras e fundadoras de seus legados. Madame Grés, Elsa Schiaparelli, Jeanne Lanvin, Coco Chanel, Madeleine Vionnet são alguns dos nomes de destaque que deixaram seus legados na história da moda e são reflexo do movimento de fortalecimento das mulheres. Mas não podemos deixar passar batido o nome de Rose Bertin (1747 – 1813) – que é conhecida como a primeira estilista de Alta Costura, foi ela a responsável pelos vestidos de Maria Antonieta, quando as costureiras passaram a receber a nomenclatura de “estilistas”. Ela desenhava e costurava, em média, 12 vestidos por estação para a rainha.

Rose Bertin, estilista de Maria Antonieta

E no ano de 2016 houveram mudanças marcantes nas direções criativas de grandes maisons europeias. A começar pela Dior que teve a primeira mulher a frente da criação da marca desde sua criação, há mais de 60 anos. Maria Grazia Chiuri, ex-Valentino, foi escolhida para assumir a direção criativa da Maison. Dentro da sua longa trajetória a marca teve vários estilistas desde a morte de seu fundador, Christian Dior. Entre os nomes masculinos que passaram na direção criativa das marcas estão Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferré, John Galliano e Raf Simons. A Maria Grazia passou 8 anos dividindo o cargo de direção criativa da Valentino com Pierpaolo Piccioli, que ainda se manteve na marca. E sua estreia na Maison veio com frases feministas e carregada de signos que empoderam as mulheres.

A vida secreta das abelhas

E isso converge com uma ideia de sororidade – termo que vem ganhando força e tem como ponto principal a irmandade entre as mulheres – logo o diálogo passasse de uma mulher para outra onde uma dá suporte à outra. E essas mudanças foram percebidas pelas grandes marcas, que estão cada vez mais focadas em ser mais próximas das mulheres reais e não de personas criadas como um modelo inatingível para nós, reles seres humanos.

E há três nomes que parecem ditar os rumos da Moda: Miuccia Prada, Pheobe Philo(Céline) e Clare Waight Keller(recém saída). Três mulheres fortes que levam os signos do feminino a um novo patamar de forma em seu trabalho que foge a obviedade em uma nova perspectiva. Há também Donatella Versace, irmã do fundador da marca italiana Gianni Versace que foi brutalmente assassinado, e que teve como missão levar o legado do império Versace sem seu grande criador e sempre rejuvenescendo a Maison.

A Chlóe que tinha direção da Clare Waight Keller e que foi fundada por uma mulher também sofre uma mudança em 2017. A estilista decidiu pausar a carreira para cuidar da família após comandar a marca durante 6 anos e tendo um currículo com passagens pela Gucci, Calvin Klein e Ralph Lauren. Além de ter alavancado as vendas da marca com as bolsas Drew e Faye a estilista fez um trabalho despretensioso e que reafirmou a identidade da mulher francesa, de um jeito cool, romântico e com influências dos anos 70.

 

Mas sua sucessora também é uma mulher: Natacha Ramsay-Levi assume o posto, a ex braço-direito de Nicolas Ghesquière na Louis Vuitton.

Já a Lanvin, marca fundada pela francesa Jeanne Lanvin, teve durante 14 anos a direção do marroquino Alber Elbaz, porém a parceria acabou. E para a sucessão do estilista a marca decidiu contratar a francesa Bouchra Jarrar. Dona da marca que carrega seu nome, Bouchra já trabalhou em maisons como Jean Paul Gaultier,  Balenciaga, Jean-Louis Scherrer e Christian Lacroix.

Com vasta experiência na gerência de ateliês, ela é conhecida por seu estilo minimalista e cerebral, o que deve indicar uma forte mudança no estilo da Lanvin. “Quero trazer à Lanvin a harmonia e a consistência de uma moda feita para mulheres; mulheres do nosso tempo”, declarou ela num comunicado.

Já a marca italiana La Perla, que fez parcerias com Jean Paul Gaultier e teve o brasileiro Pedro Lourenço a frente da marca, anunciou Julia Haart, conhecida por design de sapatos, como nova diretora criativa da marca. A entrada de Julia tem como objetivo focar na linha prêt-à-porter, que tem como inspiração o know-how de lingerie que a La Perla já possui, contudo o foco é criar peças pra serem usadas no dia a dia como “roupa de cima” mesmo!

Julia já colaborou com eles na parte de acessórios tanto na primavera-verão 2016 quanto no outono-inverno 2016/17 que sai agora. A 1ª coleção assinada por ela foi a coleção de primavera-verão 2017 que contou com um casting poderoso com Kendall Jenner, Isabeli Fontana e a chinesa Liu Wen.

E esperamos que cada vez mais mulheres assumam cargos de destaque não só na moda, mas em todos os setores!