11 de junho de 2018

Cantor Johnny Hooker fala sobre moda gay

o artista também contou sobre a admiração dele com a banda  Àttooxxá e Luedji Luna 

 

Por Jones Araújo

@jonestorm

 

Sem maquiagem, óculos, camisa de botão bordada e calça preta. Foi assim que o cantor recifense Johnny Hooker, me recebeu em seu camarim. Ao contrário de como costuma se apresentar nos videoclipes e shows, é desse jeito que Johnny costuma andar no dia a dia. Segundo ele, o visual básico  que o cantor apelidou de ‘lésbica futurista’ faz parte dele, quando não está trabalhando.  

 

O dono do hit ‘Flutua’ esteve presente na noite deste sábado (9), na Praça Tereza Batista, no Pelourinho em Salvador, para fazer o show e cantar músicas do mais novo álbum intitulado ‘Coração’. Diversas pessoas estiveram presente para ouvir canções como: Touro, Caetano Veloso, Amor Marginal, dentre outras. Em um show digno de grande espetáculo ele interagiu com o público, trocou três vezes de figurino e emocionou casais, que aproveitaram o momento para trocar carícias. Hooker bateu um papo comigo sobre moda, representatividade LGBT+ e política, confira:  

 

Johnny Hooker turnê Coração. Imagem: Diego Ciarlariello.

 

 

Cafofo Chic– Johnny você é um artista que sempre se mostra com grandes produções de roupas, tanto nos clipes e shows. O que você pensa sobre a moda LGBTQ+? 

 

Johnny – Acho que está surgindo um movimento de moda que passeia entre os gêneros que é muito interessante e que eu sempre sonhei que existiria quando eu era criança, quando me inspirava nos artistas andrógenos. Estou gostando de ver que cada dia vem surgindo marcas sem gêneros e roupas fabulosas de maneira mais autentica de expressar a pluralidade das identidades. 

 

Cafofo Chic  O que você pensa sobre as marcas que estão investindo na bandeira LGBT+ para lançar coleções de roupas? 

 

Johnny– Acho que isso é muito importante. Existe a questão da empresa se apropriar de um movimento social que está em voga, para investir, mas por outro lado, até alguns anos atrás a gente não tinha nada. Éramos a ‘bicha palhaço’ da novela, o motivo de chacota, ou a ‘lésbica masculina’. Agora com o movimento na música e mídia, em torno da causa LGBT, finalmente eles começaram a levar a essa expressão também para a moda. A mudança da sociedade se dá de uma forma muito lenta, o que a gente faz hoje, talvez não tenha tanto impacto nesse exato momento, mas daqui a 20 anos, será normal um menino usar uma roupa bem extravagante. 

Johnny Hooker show Coração. Foto: Heder Novaes.

Cafofo Chic  No show você trocou de looks três vezes e cada roupa era uma surpresa, onde você busca inspiração para isso? 

 

Johnny Com certeza na Madona (risos), ela tem essa coisa de teatro, do show contar uma história. Eu sempre achei legal isso na música pop, de você brincar com os figurinos e a cada parte da história chegar com uma nova roupa e visual. Acho bacana, apesar do dia a dia eu ser muito básico. No show gosto de fazer uma coisa mais teatral e brincar com isso.  

 

Cafofo Chic A Bahia é um estado colorido e que também tem uma grande influência no estilo e na moda. O que você pensa sobre as roupas daqui? 

 

Johnny Acho maravilhoso toda a influência africana de estampas e cores. É futurista, é a coisa mais bonita. Aqui vocês celebram muito a moda afro, é muito importante,  já que a mídia não costuma mostrar. Isso me deixa muito orgulhoso em Salvador,  é um lugar de resistência e você vê isso nas roupas das pessoas.  

Look do show Coração. Foto: Heder Novaes.

Cafofo Chic Você está sempre bem maquiado nos videoclipes e shows. O delineado gatinho por exemplo é sua marca registrada. Você tem algum ritual de cuidados com a pele? 

 

Johnny Eu sou muito hippie, passo hidratante todos os dias, porque estou morando em São Paulo e como lá é muito seco, a pele descasca. Vi que isso dá uma melhorada, mas prometo que irei melhorar mais.  

 

Mudando de assunto 

 

Cafofo Chic Johnny o Brasil ainda continua sendo o país que mais mata LGBT+, um levantamento feito esse ano pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), mostra que até o início de maio deste ano, 153 LGBT+ foram vítimas de homofobia. Tem um deputado estadual que está com um projeto de lei voltado para a criminalização da homotransfobia. Você sabia? O que pensa a respeito? 

 

Johnny  Penso que é preciso de mais gente assim. Como falei no show, temos que votar nas eleições em candidatos que pensem nas causas LGBTS e nas minorias, porque esse governo atual não está nem aí para a gente. É hora da juventude mostrar nosso poder nas urnas. Já que estamos tendo esse poder de representatividade na mídia, devemos usá-lo politicamente também, para tomar as rédeas do país. Eu vejo que a novíssima geração às vezes é muito individualista. E parte da missão do meu trabalho é gerar um pouco de consciência nessa geração, porque política é tudo, sem ela a gente não sobrevive. A arte é importante é linda, mas a realidade é dura. As pessoas são assassinadas. Então tem que ter algum tipo de avanço de política que proteja a gente.  

 

Cafofo Chic Além de Caetano Veloso, tem algum artista baiano que você pensa em dividir o palco? 

 

Johnny  Tem vários, eu conheci Gil, mas não sei se vai rolar uma parceria ainda. Eu amo a banda Àttooxxá e a Baiana System também é maravilhosa. Além de eu estar completamento apaixonado por Luedji Luna.

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