09 de outubro de 2018

“Acho difícil fazer moda, mas não impossível”: Entrevista com Diego Corcini, produtor de moda do grupo Morena Rosa

Por Bianca Pereira

“Sou uma pessoa prática, imediatista e pró ativa. Usar apenas preto é um reflexo da minha praticidade, pois eu não gosto de perder tempo. Não meço esforços para fazer o meu trabalho sair da melhor forma possível. Na vida pessoal eu me divido entre assistir séries, curtir com os amigos e me antenar sobre as principais tendências de moda”.

Assim se descreve o produtor de moda, Diego Corcini, 25 anos, de Cianorte (interior do Paraná).

Que me conta desafios da profissão, suas inspirações e a experiência de trabalhar como produtor para um dos maiores grupos de moda do Brasil, Morena Rosa.

Bianca Pereira: Diego como você define sua profissão levando em conta seu cotidiano?

Diego Corcini: A profissão de moda consiste em produzir (alugar, emprestar, criar ou comprar) acessórios, calçados e até peças de vestuário que irão ser utilizadas por um stylist em campanhas, editoriais e outros materiais de moda, como lookbooks que é o que eu mais costumo fazer em meu trabalho.

Que tal falar um pouco sobre a experiência com o grupo Morena Rosa?

Comecei minha carreira como estagiário no grupo Morena Rosa, onde prestava assistência para uma antiga produtora na Maria Valentina (uma das quatro marcas do grupo). Após dois meses de estágio recebi uma proposta para trabalhar como produtor de moda efetivo e hoje em dia, com pouco mais de dois anos de empresa, sou responsável pelas quatro marcas do grupo (Maria Valentina, Zinco, Morena Rosa e Lebôh) e faço a produção de moda e executiva para lookbooks, e-commerce e também auxilio em algumas campanhas e eventos dessas marcas.

O que você pode me dizer sobre a questão de existência da moda brasileira?

Apesar do Brasil ter sido colonizado pelos portugueses, que se vestiam de acordo com a moda europeia, e grande parte das referências de moda atualmente virem do exterior, acredito que existe moda brasileira sim. O Brasil sabe fazer moda e hoje em dia podemos observar várias marcas brasileiras ganhando espaço no mercado, com peças atemporais, modernas e criadas para nosso clima tropical. No Brasil temos ótimas referências de moda, como a renda, os fuxicos, o crochê e o macramê.

Quais foram os seus maiores desafios e conquistas como produtor de moda?

Aprender com meus erros, melhorar como pessoa e profissional, aperfeiçoando meu trabalho a cada nova coleção. Uso isso como metas diárias. Acho que é isso que nos torna bons profissionais.

Num país onde as necessidades básicas como alimentação e educação não são supridas, é muito difícil fazer moda?

Pergunta difícil. Acredito que em tempos de crise as pessoas deixam de consumir. Consequentemente, moda também é consumo. Portanto, acho difícil fazer moda, mas não impossível. Ao meu ver, se uma marca famosa lançar uma tendencia, for copiada e replicada em uma peça que será vendida na 25 de março por trinta reais, de uma forma ou de outra já estará fazendo moda.

Na sua trajetória quais são suas referências de moda?

Sempre admirei os trabalhos Yohji Yamamoto, por brincar com shapes e modelagens inusitadas, do falecido Clodovil Hernandes, que arrasava nos figurinos e na alta costura; e do talentoso Alexandre Hertcovitch.

Tem algum novo projeto em mente?

Quero tirar a minha futura marca de roupas do papel e atuar como stylist também.

Alguma mensagem para os leitores do Cafofo Chic que querem seguir sua profissão?

Moda não é só glamour. Essa é a primeira coisa que vocês precisam ter em mente. Os desafios são muitos, mas são recompensadores, afinal, não há nada melhor que ver o seu trabalho num blog, site, revista, etc. Se esforcem, se dediquem e não desistam de espalhar a moda por aí. A moda é vocês que fazem.

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